OMS: Doenças crónicas representam oito das dez principais causas de morte no mundo

DÍLI, 5 de outubro de 2026 (TATOLI) – A esperança média de vida global atingiu os 73,3 anos em 2023, aproximando-se dos 73,4 anos registados em 2019, antes da pandemia de covid-19.
Os dados constam das Estimativas de Saúde Global divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que apontam para uma recuperação dos principais indicadores de saúde e confirmam uma profunda transformação do perfil epidemiológico mundial.
Doenças crónicas ganham peso
Segundo a OMS, as doenças transmissíveis representaram, pela primeira vez, cerca de metade das mortes registadas em 2023 nos países de baixo rendimento. Já as doenças crónicas continuam a ganhar expressão nas causas de mortalidade, estando na origem de 74% dos óbitos registados em 2023, face aos 58% em 2000.
A doença cardíaca isquémica manteve-se como a principal causa de morte a nível mundial, com 9,5 milhões de óbitos, seguida do Acidente Vascular Cerebral, da doença pulmonar crónica, das infeções respiratórias, de Alzheimer e de outras formas de demência.
No total, as dez principais causas de morte foram responsáveis por cerca de 33 milhões de óbitos, correspondentes a 54% das 61 milhões de mortes registadas em 2023. Oito das dez causas estão associadas a doenças crónicas.
A OMS alerta ainda para o aumento substancial do risco de morte associado à diabetes desde 2000, sobretudo na região do Sudeste Asiático. Atualmente, esta patologia é a sexta principal causa de morte no mundo.
Sistemas de saúde enfrentam novos desafios
Em 2023, a covid-19, e pela primeira vez desde o início da pandemia, deixou de figurar entre as dez principais causas de morte a nível mundial.
Para o Diretor do Departamento de Dados, Saúde Digital, Análise e Inteligência Artificial da OMS, Alain Labrique, o aumento da esperança de vida constitui uma conquista relevante, mas coloca novos desafios aos sistemas de saúde.
“Viver mais tempo é uma das grandes conquistas da saúde pública, mas o próximo desafio é garantir que esses anos adicionais sejam vividos com boa saúde”, afirmou o responsável.
Segundo o responsável, os sistemas de saúde devem adaptar-se ao novo perfil epidemiológico das populações e preparar-se para responder ao aumento das doenças crónicas e às necessidades de cuidados de saúde associadas ao envelhecimento.
Depressão e ansiedade afetam a saúde global
As perturbações de saúde mental constituem igualmente uma parte significativa do panorama atual. Em 2023, estima-se que 110 milhões de anos de vida saudável tenham sido perdidos devido a mortes prematuras e incapacidade provocadas pela ansiedade e pela depressão.
Entre 2019 e 2023, a taxa global de anos de vida ajustados por incapacidade aumentou cerca de 20% no caso das perturbações depressivas e quase 45% no caso das perturbações de ansiedade.
Os problemas relacionados com o consumo de drogas também apresentaram tendências semelhantes em várias regiões. Entre 2000 e 2023, a Região das Américas registou os maiores aumentos no risco de mortalidade e na perda de anos de vida saudável associados a estas condições.
OMS acompanha novas tendências
As Estimativas de Saúde Global traçam um cenário de recuperação dos efeitos imediatos da pandemia, mas também evidenciam uma transformação contínua das necessidades de saúde das populações.
As OMS reúne dados sobre as principais causas de morte e incapacidade nos diferentes países e regiões, permitindo acompanhar a evolução destes indicadores ao longo do tempo.
A organização considera que esta informação é essencial para que Governos e instituições de saúde identifiquem tendências emergentes, acompanhem as mudanças demográficas e epidemiológicas e determinem as áreas onde são necessários novos investimentos e respostas de saúde pública.
Equipa da Tatoli

