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PNUMA alerta para impacto do desperdício alimentar nas alterações climáticas

Fonte Pixabay

DÍLI, 30 de setembro de 2026 (TATOLI) – Mais de mil milhões de refeições são desperdiçadas diariamente em todo o mundo, contribuindo para o aumento das emissões de gases com efeito de estufa e para a pressão sobre os recursos naturais, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA).

O desperdício alimentar inclui restos de refeições, alimentos deteriorados e produtos agrícolas que se perdem após a colheita, antes de chegarem ao mercado. Quando depositados em aterros sanitários, estes alimentos decompõem-se e libertam metano, um potente gás com efeito de estufa, responsável por cerca de 8 a 10% das emissões globais.

Os dados foram divulgados por ocasião do Dia Internacional de Consciencialização sobre as Perdas e o Desperdício Alimentar, assinalado a 29 de setembro e promovido pelo PNUMA e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Este ano, a iniciativa centra-se na relação entre a redução das perdas alimentares, a proteção das florestas e a promoção de sistemas agroalimentares sustentáveis.

“Utilizar de forma mais eficiente os alimentos que já produzimos pode reduzir a pressão sobre a terra e as florestas e ajudar a alimentar mais pessoas”, informou Michael Muratha, gestor de programas do PNUMA.

Segundo Muratha, a preservação das florestas também contribui para a produção alimentar, nomeadamente através da proteção dos solos e da regulação das chuvas.

Melhores sistemas de armazenamento podem reduzir perdas

O PNUMA defende o investimento em melhores sistemas de manuseamento, armazenamento e transporte mais eficientes, como forma de reduzir perdas ao longo da cadeia de produção e distribuição.

Muratha destacou igualmente a importância do reforço das cadeias de frio para produtos perecíveis.

“No Quénia, uma cooperativa de 179 agricultores perto de Nairobi perdia até 40% das suas colheitas antes de receber equipamentos de armazenamento frigorífico e de transporte refrigerado”, adiantou.

De acordo com o responsável, melhores condições de armazenamento podem ajudar os agricultores a enfrentar os impactos das alterações climáticas, incluindo secas, inundações e períodos de escassez alimentar.

A medida pode ainda contribuir para reduzir a perda de alimentos nutritivos, num contexto em que 2,6 mil milhões de pessoas não têm acesso a uma alimentação saudável rica em frutas e legumes.

“É por isso que é realmente importante adotar estas medidas para preservar e conservar os alimentos e reduzir as perdas”, salientou Muratha.

O PNUMA apoia igualmente iniciativas que encaminhem excedentes alimentares seguros para pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo crianças de comunidades desfavorecidas.

Inovação no combate ao desperdício

A organização destaca também o papel da inovação na redução do desperdício alimentar, defendendo que as soluções podem variar desde métodos simples até tecnologias avançadas.

“A inovação pode ajudar em diferentes pontos onde os alimentos se perdem ou são desperdiçados, e nem sempre tem de envolver alta tecnologia”, adiantou.

Entre os exemplos apresentados está o projeto Favela Orgânica, no Brasil, que ensina comunidades, vendedores ambulantes e chefs a aproveitar ingredientes que são frequentemente descartados, como cascas de banana e talos de brócolos.

A Inteligência Artificial (IA) é outra das ferramentas que começam a ser utilizadas para combater o desperdício.

Segundo o PNUMA, uma iniciativa apoiada pela organização e envolve 13 hotéis utiliza ferramentas de IA para medir os alimentos descartados e ajustar as compras e a preparação das refeições. A medida permitiu reduzir em 62% o desperdício de pequeno-almoço deixado pelos consumidores num período de quatro meses.

Meta de reduzir desperdício até 2030

No ano passado, o PNUMA e os seus parceiros lançaram a iniciativa Food Waste Breakthrough durante a 30.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, no Brasil.

A iniciativa tem como objetivo reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030, contribuindo simultaneamente para a redução das emissões de metano e para a ação climática.

Muratha afirmou que a adoção de medidas para prevenir o desperdício poderia ajudar a reduzir parte dos mais de um bilião de dólares americanos que, segundo o PNUMA, são perdidos anualmente em todo o mundo devido às perdas e ao desperdício alimentar.

O responsável acrescentou que cada dólar investido na prevenção permite poupar oito dólares às cidades e 84 dólares às famílias.

“Para as comunidades, isto significa que mais alimentos chegam às pessoas e uma maior capacidade de resistência quando as colheitas, os preços ou as cadeias de abastecimento sofrem perturbações”, concluiu.

Equipa da Tatoli

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