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Morreu Tom Hyland

Foto especial

DÍLI, 26 de dezembro de 2024 (TATOLI) – Faleceu, esta terça-feira, aos 72 anos, Tom Hyland, um ativista pela paz. O óbito foi declarado no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV).

Para o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, “Tom Hyland era um homem humilde e gentil, cuja coragem moldou a viagem do país rumo à independência. Indignado com o sofrimento do povo timorense sob ocupação, fundou a Campanha de Solidariedade Timor-Leste-Irlanda, trabalhando incansavelmente para expor a injustiça que ocorria no país. Através do seu ativismo implacável, fez com que a situação dos timorenses se tornasse conhecida do público irlandês e internacional”.

Para o Chefe do Governo, os seus esforços foram fundamentais para que, por parte do Executivo irlandês, os direitos humanos e justiça para o povo timorense fossem defendidos. “Graças ao lobby de Tom, o Ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês, David Andrews, visitou Timor-Leste em apoio ao nosso direito à autodeterminação e na preparação do referendo de 1999, rumo à independência. Depois de tanto contribuir para a luta, e já após a independência, Tom fez de Timor-Leste a sua casa”, frisou.

Segundo Xanana Gusmão, Tom foi fundamental para a relação de solidariedade entre os povos timorense e irlandês, servindo como Cônsul Honorário da Irlanda em Timor-Leste até ao seu falecimento.

O Chefe do Executivo acrescentou que Tom Hyland evidenciou o seu compromisso para com a construção do país, de forma discreta, trabalhando no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e ensinando inglês à sua equipa.

O Primeiro-Ministro realçou que, mesmo com a sua saúde debilitada, Tom caminhava por Díli, apoiado numa bengala. “As crianças timorenses aproximavam-se frequentemente dele, colocando a testa na sua mão como gesto de profundo respeito pelo seu contributo para o nosso povo. Tom sempre se interessou pelos outros, era um homem altruísta, generoso com o seu tempo e bondade”, sublinhou.

“Perto do fim da vida, Tom ficou triste com a atualidade internacional. Ficou particularmente afetado pela situação difícil do povo de Gaza. No entanto, tinha fé no poder das pessoas comuns para defender a justiça e na força do ativismo político para promover a mudança. A humildade e o carácter gentil do Tom tocaram muitas das nossas vidas. Era muito amado e fará muita falta. Ao honrar e celebrar a sua vida, devemos também ser inspirados pelos valores pelos quais viveu: altruísmo, coragem e um compromisso resoluto com a justiça e a dignidade humana”, concluiu.

Tom Hyland nasceu em Dublin, capital da Irlanda, a 12 de outubro de 1952.

Jornalista: Domingos Piedade Freitas

Editora: Isaura Lemos de Deus

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