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Ramos Horta reticente quanto à concretização dos ODS até 2030

Ramos Horta reticente quanto à concretização dos ODS até 2030

Foto Especial

DÍLI, 7 de março de 2023 (TATOLI) — O Presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, destacou os progressos do país no processo de implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A seu ver, apesar de se registarem progressos, hesita em afirmar um grau de sucesso desejável na concretização dos ODS declarando que “com o atual progresso do desenvolvimento, devo dizer que as perspetivas de Timor-Leste alcançar os ODS em 2030 são incertas”.

O Chefe de Estado proferiu esta declaração à margem da 5.ª conferência da Organização das Nações Unidas sobre Países Menos Desenvolvidos (LDC, em inglês), a decorrer em Doha.

“Para nós, os caminhos para a graduação dos Países Menos Desenvolvidos são claramente definidos no nosso quadro de desenvolvimento – o Plano Estratégico de Desenvolvimento (PED) – que prevê Timor-Leste como um país de rendimento médio-alto com uma população saudável e educada até 2030”, afirmou Ramos Horta, no comunicado do Palácio da Presidência a que a Tatoli teve hoje acesso.

No documento, o Chefe de Estado sublinhou que para concretizar esta visão, Timor-Leste precisa de “abordar várias áreas-chave, incluindo o desenvolvimento da economia, das infraestruturas, do capital humano, da proteção social, da sustentabilidade ambiental e da boa governação”.

“O PED visa desenvolver uma economia diversificada e inclusiva, menos dependente das receitas do petróleo e do gás, melhorar as infraestruturas para ligar pessoas e mercados, formar uma mão-de-obra qualificada e saudável e promover a proteção social dos membros mais vulneráveis para nos alinharmos com as áreas prioritárias do Programa de Ação de Doha”, frisou.

De acordo com o Chefe de Estado, ao longo das últimas duas décadas, Timor-Leste tem conseguido resultados significativos no principal setor de desenvolvimento, mas ainda enfrenta uma série de desafios, tais como uma redução significativa da pobreza e as consequências provocadas pela pandemia da covid-19.

No que toca no desenvolvimento das infraestruturas, Ramos Horta afirmou que mais de 85% da população tem acesso a eletricidade, e quase 500 km de estradas nacionais e 950 km de estradas municipais foram construídas ou reabilitadas. Acresce àquelas, a construção do porto da Baía de Tíbar, bem como um projeto para um sistema de cabos submarinos de fibra ótica que ligará Darwin a Timor-Leste.

“Estas grandes infraestruturas vão permitir uma maior conetividade com os mercados global e regional, o que é vital para a nossa economia e para o nosso comércio”, considerou.

O Presidente da República disse ainda que, apesar dos progressos no desenvolvimento de infraestruturas-chave, existem ainda muitos desafios na educação. O aumento da frequência nas escolas primárias é o progresso mais notável, mas o país “está atrasado nas taxas de frequência pré-escolar, além disso a má qualidade do ensino e dos ambientes de aprendizagem também contribuem para os desafios educacionais que se impõem”.

Do mesmo modo, julga o Chefe de Estado, foram feitos muitos progressos no reforço do sistema de cuidados de saúde. Mas pensa serem necessários mais esforços para reduzir as desigualdades na saúde e combater as doenças não transmissíveis, bem como melhorar a nutrição e a saúde sexual e reprodutiva.

Ramos Horta considera que a fragilidade e vulnerabilidade nos pilares político, social e económico do país continuam a ser um desafio, agravado por choques externos imprevistos, sendo que também estes jogam para o carácter “incerto” na concretização dos ODS até 2030.

Notícia relacionada: Criada equipa para avaliar implementação dos ODS

 Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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