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Xanana defende paz, direito internacional e governação da IA no Fórum do Futuro da ASEAN

Xanana defende paz, direito internacional e governação da IA no Fórum do Futuro da ASEAN

O Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, participou, esta terça-feira, no Fórum do Futuro da ASEAN, realizado em Hanói, no Vietname. Foto: Digna Serão

DÍLI, 9 de junho de 2026 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, defendeu a paz, o respeito pelo direito internacional e a criação de mecanismos de governação da Inteligência Artificial (IA), durante a sua intervenção no Fórum do Futuro da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizado em Hanói, no Vietname.

No discurso principal do fórum, subordinado ao tema Moldar o Nosso Futuro Juntos: Paz, Prosperidade e Desenvolvimento Centrado nas Pessoas, o Chefe do Governo destacou os desafios enfrentados pela comunidade internacional num contexto marcado por conflitos, tensões geopolíticas e rápidas transformações tecnológicas.

Antes de abordar os temas centrais da sua intervenção, Xanana Gusmão expressou solidariedade para com o Governo e o povo das Filipinas, na sequência do sismo que atingiu aquele país esta segunda-feira.

O Chefe do Executivo salientou que este fórum tem um significado especial para Timor-Leste, uma vez que é a primeira participação do país no evento enquanto membro pleno da ASEAN.

O PM agradeceu ao Governo do Vietname e à Academia Diplomática vietnamita pela organização do fórum, considerando-o um espaço importante para a reflexão sobre o futuro da organização regional.

Na sua intervenção, Xanana Gusmão alertou para a crescente fragilidade da ordem internacional e para os riscos decorrentes do enfraquecimento do direito internacional.

Segundo o Chefe do Governo, os países em desenvolvimento e os Estados mais vulneráveis correm o risco de voltar a ser marginalizados caso a atual crise da ordem internacional der origem a um novo sistema global definido apenas pelos interesses das grandes potências.

“A nossa tarefa não é abandonar o sistema internacional, mas defendê-lo, repará-lo e fortalecê-lo. Devemos insistir que o direito internacional se aplica de forma igual a todas as nações, grandes ou pequenas”, sublinhou.

Xanana Gusmão afirmou ainda que a ASEAN representa um exemplo de cooperação regional assente no diálogo, no consenso, na resolução pacífica de conflitos e no respeito mútuo, valores que considera essenciais num mundo cada vez mais dividido por interesses geopolíticos.

Relativamente ao desenvolvimento tecnológico, o PM alertou para os impactos económicos e sociais da IA, defendendo que a região deve preparar-se para as profundas transformações que esta tecnologia provocará.

“O desenvolvimento da Inteligência Artificial deve servir o bem comum, caso contrário, servirá apenas os interesses dos mais poderosos”, afirmou.

O Chefe do Executivo observou que o desenvolvimento da IA está atualmente concentrado num número reduzido de empresas e países, advertindo que a ausência de mecanismos de regulação pode agravar as desigualdades, facilitar a disseminação de desinformação e enfraquecer a confiança das sociedades nas instituições.

Neste contexto, defendeu a criação de quadros regionais de governação digital que reflitam os valores da ASEAN, protejam os cidadãos e garantam que a tecnologia contribua para a dignidade humana e para o desenvolvimento inclusivo.

O governante reiterou o compromisso de Timor-Leste com a ASEAN e manifestou disponibilidade para contribuir para o fortalecimento da organização e para a construção de um Sudeste Asiático mais pacífico, inclusivo e próspero.

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Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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