DÍLI, 12 de fevereiro de 2026 (TATOLI) – A Organização Não-Governamental Fundasaun Hadomi Timor (FHT), em parceria com a The Asia Foundation (TAF), iniciou hoje a 2.ª fase do Programa de Formação em Segurança Digital, uma iniciativa destinada a ativistas de direitos digitais.
A iniciativa decorre, até ao dia 13, no Salão Kasian, na Praia dos Coqueiros, em Díli, e conta com a participação de representantes de organizações de direitos humanos, grupos da sociedade civil e associações de pessoas com deficiência.
O Diretor-Executivo da FHT, Abrão Monteiro, explicou que a atividade dá continuidade ao programa iniciado no ano passado, com o objetivo de criar mecanismos sustentáveis de formação em segurança digital a nível local e disseminar conhecimento às comunidades nos municípios.
“O principal foco da formação é capacitar os ativistas de direitos digitais com conhecimento técnico, competências de facilitação e ferramentas práticas, permitindo-lhes conduzir formações autónomas nas suas próprias comunidades”, afirmou Abrão Monteiro, em Díli.
O responsável alertou para os desafios emergentes da Inteligência Artificial (IA) na segurança cibernética, uma vez que esta tecnologia pode ser utilizada para criar ciberataques de phishing que consistem no envio de mensagens fraudulentas disfarçadas de fontes fidedignas para enganar utilizadores e roubar informações sensíveis, como palavras-passe e dados bancários.
Pode ainda gerar deepfakes, que são vídeos, áudios e imagens manipulados pela IA para criar uma representação falsa, mas altamente realista, de uma pessoa ou evento e automatizar ataques informáticos e desenvolver malware – tipo de software ou código desenvolvido com o objetivo de prejudicar, explorar ou obter acesso não autorizado a sistemas, dispositivos ou redes – mais adaptável e difícil de detetar.
De acordo com Abrão Monteiro, a IA acelera igualmente a propagação de desinformação e intensifica práticas de engenharia social direcionadas a indivíduos de forma personalizada.
O dirigente acrescentou ainda que os objetivos estratégicos do programa incluem reforçar a rede de ativistas digitais, criar uma rede nacional de formadores capazes de replicar a formação, promover a resiliência e segurança digital e apoiar iniciativas locais através de fundos da TAF.
Por sua vez, a Representante da TAF em Timor-Leste, Heidi Arbuckle, destacou que a transformação digital oferece grandes oportunidades, mas também apresenta riscos que precisam de ser geridos de forma adequada. Segundo a dirigente, o desafio é aprender a lidar com essas ameaças de maneira inteligente.
“A segurança digital não se limita ao aspeto técnico, envolve também o comportamento humano enquanto utilizador da tecnologia”, afirmou.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




