DÍLI, 04 de setembro (TATOLI) – Está a decorrer em Maputo, capital moçambicana, até 12 de setembro, a residência artística internacional sob o tema Resistir Para Existir, que junta criadores de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, num processo criativo que cruza dança, música, teatro e artes visuais. Timor-Leste é representado pelas artistas Olga Boavida e Orlanda Mendonça.
De acordo com um comunicado da comissão organizadora do evento, a residência, inserida no projeto Resistência e Afirmação Cultural, tem como objetivo a criação de uma obra multidisciplinar centrada nas memórias coletivas dos processos de libertação colonial e das lutas antifascistas no espaço lusófono. O resultado será apresentado no próximo dia 12, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, com mais de 50 profissionais em palco, entre artistas residentes e técnicos moçambicanos.
Selecionadas entre mais de uma centena de candidaturas, as artistas timorenses trazem à residência a riqueza da tradição oral e da expressão musical timorenses. Olga Boavida, contadora de histórias e uma das fundadoras da Associação Haktuir Ai-Knanoik, é autora de livros como Noi de Mel e A Lenda da Ilha de Lorosa’e e tem-se dedicado à valorização da herança cultural timorense junto das novas gerações.
Já Orlanda Mendonça, cantora e declamadora, é uma das vozes emergentes da música timorense. Vencedora do Concurso de Música do MEHI em 2024, tem conciliado a carreira artística com a promoção da igualdade de género e com a participação em iniciativas socioculturais no país.
O processo criativo em Maputo estimula a colaboração entre linguagens artísticas e promove encontros entre sonoridades tradicionais da lusofonia, como a morna, de Cabo Verde, a semba, de Angola, o gumbé, de Guiné-Bissau, e a marrabenta, de Moçambique.
Além das representantes timorenses, participam artistas como Géssica Pedro e Cassilva, de Angola, Suaila Lima e Yacine Rosa, de Cabo Verde, Janice Candé, Osvaldo Netos e Eugénia Lopes, da Guiné-Bissau, Leia Nhambe, Shelcia Mac e Nicole Bota, de Moçambique, Luís Fernandes, Carolina Monteiro e Francisco Vieira, de Portugal, e Vanessa Faray e Eduardo Lourenço, de São Tomé e Príncipe.
O espetáculo será documentado e ficará disponível na plataforma digital CASA, que funcionará como repositório das artes performativas da lusofonia.
A residência Resistir Para Existir é uma iniciativa da Associação Cultural Scala, em parceria com a Khuzula, com apoio do programa PROCULTURA, financiado pela União Europeia e cofinanciado pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., e pela Fundação Calouste Gulbenkian. Conta ainda com o apoio institucional do Ministério da Educação e Cultura de Moçambique.
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Equipa da Tatoli




