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Timor-Leste desce dez lugares no ranking mundial da liberdade de imprensa

Timor-Leste desce dez lugares no ranking mundial da liberdade de imprensa

Jornalistas timorenses. Foto da Tatoli

DÍLI, 03 de maio de 2024 (TATOLI) – Timor-Leste perdeu este ano a 10.ª posição no ranking mundial da liberdade de imprensa. Segundo um relatório publicado pela Organização Não-Governamental Repórter Sem Fronteiras (RSF), num ranking de 180 países, Timor-Leste desceu, de 2023 a 2024, para a 20.ª posição.

O estudo é publicado anualmente a 03 de maio – data em que é celebrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. No site da RSF é referido que os Estados estão a falhar na proteção do jornalismo, uma vez que um número crescente de “governos e autoridades políticas não cumprem o seu papel de garantes de um quadro exemplar para o exercício do jornalismo e do direito do público a uma informação fiável, independente e plural”.

Na nota é referido que o desempenho de liberdade de imprensa de cada país depende de cinco indicadores contextuais: um político, um jurídico, um económico, um sociocultural e um de segurança. Ponderados aqueles critérios, a classificação atribuída varia entre 0 e 100. Um elevado grau de liberdade de imprensa está associado a uma pontuação alta e vice-versa. No caso de Timor-Leste, o epíteto “situação com defeitos” e a classificação de 78,92 espelha sobretudo uma situação onde “em momento algum um jornalista foi preso por causa do seu trabalho (…) mas a lei dos media de 2014 é uma ameaça permanente sob os jornalistas e encoraja a autocensura”.

Num panorama mais amplo, pensando-se na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, apenas Cabo Verde, Angola, Brasil e Portugal subiram, este último agora promovido para o 7.º lugar, ostentando uma “situação muito boa”.

Ramos Horta preocupado

Presidente da República, José Ramos Horta. Fotografia Tatoli /Egas Cristovão.

O Presidente da República, José Ramos Horta, lamentou o índice de liberdade de imprensa de Timor-Leste. Na sequência, o Chefe de Estado solicitou às entidades relevantes para que façam uma “reflexão” sobre os resultados do relatório divulgado pela RSF. “O Conselho de Imprensa e os jornalistas devem fazer uma reflexão sobre o que levou Timor-Leste a cair do 10.º para o 20.º lugar”, informou o Presidente aos jornalistas, no aeroporto de Díli, após regressar de uma viagem de Estado a Portugal.

O Chefe de Estado teve oportunidade de revelar a sua discordância face a uma eventual interferência do Governo nos editoriais dos órgãos de comunicação social, pois no seu entender, aquela poderia limitar a liberdade de imprensa no país. “Temos de deixar os meios de comunicação social livres para desempenharem as suas funções. É melhor o governo se concentrar no seu trabalho. Se alguma das notícias publicadas não for verdadeira, podemos enviar uma carta de protesto para a corrigir”.

Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Ximenes. Foto da Tatoli

Por sua vez, o Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Ximenes, frisou que a liberdade de imprensa é “um pilar fundamental da democracia, permitindo o escrutínio do poder e a defesa dos direitos dos cidadãos”. “Neste dia especial, em que celebramos a liberdade de imprensa, é importante reafirmar o compromisso dos jornalistas em Timor-Leste e em todo o mundo com a verdade, a objetividade e a responsabilidade perante a sociedade”.

Conselho de Imprensa reconhece problemas no exercício do jornalismo

Presidente do Conselho de Imprensa de Timor-Leste, Otélio Ote. Foto da Tatoli/Egas Cristóvão.

O Presidente do Conselho de Imprensa de Timor-Leste considerou que o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa como “um instrumento fundamental para o pluralismo e independência dos órgãos da comunicação social”. Otélio Ote, afirmou que, apesar de a liberdade de imprensa ser boa no país, na prática os profissionais da comunicação social ainda enfrentam vários obstáculos, como o facto de as autoridades governamentais e alguns grupos ou indivíduos “continuarem a impedir os jornalistas de exercerem os seus serviços jornalísticos”.

Numa conferência de imprensa realizada em Díli, o responsável apelou aos líderes e ao público em geral para “respeitarem a profissão de jornalista e os meios de comunicação social em Timor-Leste, uma vez que desempenham um papel importante na promoção da democracia no país”. Pediu igualmente aos jornalistas que “cumpram o código deontológico, a fim de desempenharem as funções com profissionalismo, independência e neutralidade, de modo a transmitirem informações de qualidade ao público”.

O dirigente solicitou ainda aos proprietários dos meios de comunicação social que “garantam condições mínimas aos jornalistas no exercício das suas funções e assegurem a independência editorial sem interferência do poder político e da economia”.

Noticia relevante: Timor-Leste sobe para a 10.ª posição no ranking mundial da Liberdade de Imprensa

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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