DÍLI, 27 de abril de 2024 (TATOLI) – Entre timorenses e portugueses, várias centenas de pessoas tiveram a oportunidade de ver e ouvir timorenses a cantar músicas evocativas ao 25 de Abril. A iniciativa, Timor Canta Abril, na sequência de um conjunto de atividades músicas a comemorar o 25 de Abril, ocorreu na quinta-feira passada, no salão do Hotel Timor.
O programa prometia já que listava um conjunto de canções, muitas ditas “de intervenção” (com mensagens políticas), intervaladas pela leitura de poesias por parte de Dulce Turquel que, longe dos holofotes, lia o que ia na alma de uma geração de portugueses que povoava a plateia. Lidos e ouvidos foram autores e cantautores como José Jorge Letria, Sophia de Mello Breyner, Manuel Alegre e António Gedeão, entre outros.
Todavia, foram os jovens e menos jovens timorenses que emprestaram a voz, e a alma, às canções que iam sucessivamente interpretando. Nelson Turquel e José Manuel Freitas pontificaram entre os menos jovens e, entre a juventude, nomes como Filipe Arranhado, Fara, Enato, Joe Clau, Afi, Agá Soares, Anó Minta, nos seus próprios estilos, não esquecendo as deliciosas vozes de Fela, Orlanda e das vocalistas dos The Kraken.
As boas-vindas iniciais da Embaixadora de Portugal em Timor-Leste, Manuela Bairos, lançaram o mote para o espetáculo que se iria iniciar pouco depois. E logo com a interpretação de um coro de vozes masculinas (na imagem), que imitou o tema Grândola Vila Morena de Zeca Afonso. Estava dado o sinal para uma noite que iria trazer algumas lágrimas a portugueses e timorenses conhecedores dos valores que as canções evocavam.
Jorge Santos, à fala com o repórter da Tatoli, não escondeu a emoção em revelar que a interpretação de Pedra Filosofal pela jovem Fela, remeteu-o para um passado saudado e Angélica Santos, também portuguesa, sentiu especial predileção pela Canção com lágrimas da mesma Fela em dueto com Enato. David Ximenes, por sua vez, preferiu o espírito arrojado e influenciado por um hip-pop-rap de Joe Clau no estilo que dotou a canção E depois do adeus…
Para os timorenses o melhor estava listado para o fim, quando a conhecida e sentida Kadak Suli Mutu juntou no palco todos os intérpretes numa canção que tocou os espíritos locais.
A Revolução dos Cravos de 25 de abril teve repercussões em Timor-Leste, dizem muitos. Em Portugal foi ocasião de júbilo, de alegria e de exaltação, via voz revoltada e gritada. Ontem, a comemoração do seu cinquentenário também foi. Mas a voz foi cantada, foi ouvida, foi lida. E foi sentida.
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Jornalista: Isaura Lemos de Deus
Editor: Rafael Belo




