DÍLI, 23 de março de 2024 (TATOLI) – Uma jovem de 19 anos, residente na aldeia de Naetuna, na Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno, faleceu ontem, por volta das 15h00, no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), dois meses após ter sido mordida por um cão.
“Quando a minha irmã foi mordida, pedimos-lhe para ir ao posto de saúde, mas ela não quis e só no dia 19 de março é que começou a apresentar sintomas como febre e dores de garganta e de costas, então trasportámo-la para o hospital da RAEOA. Três dias depois, o seu quadro clínico agravou-se e foi transferida de avião para o HNGV”, disse Reno Fernandes, familiar da vítima, na capela mortuária do HNGV.
Enquanto aguardam a transladação dos restos mortais para o Oé-Cusse, a família, lamentando a morte da jovem, apela ao Governo que invista em campanhas de informação e de vacinação antirrábica.
O Diretor-Geral dos Serviços Corporativos do Ministério da Saúde (MS), Marcelo Amaral, questionado, disse que a vítima, assim que deu entrada no HNGV, apresentava sintomas como febre alta, saliva excessiva, vómitos, dores de garganta e de costas, dificuldade em engolir alimentos, fotofobia (sensibilidade à luz) e rigidez do pescoço.
“A raiva é uma doença muito perigosa. Quando uma pessoa é mordida por um cão tem de se dirigir imediatamente ao centro de saúde mais próximo para receber a vacina contra a raiva, mesmo que não apresente sintomas”, apelou Marcelo Amaral.
Recorde-se que está a decorrer desde janeiro uma campanha da vacinação antirrábica, nos municípios de Díli, Bobonaro, Covalima e Oé-Cusse. Atualmente, segundo Marcelo Amaral, a taxa de cobertura naqueles municípios é de 70%.
A raiva afeta o sistema nervoso e central dos animais infetados com o vírus, sendo transmitida para o ser humano por meio da saliva daqueles. Se um animal, por exemplo um cão, estiver infetado com raiva e morder um indivíduo, a pessoa pode ficar infetada. Nos seres humanos, os sintomas iniciais envolvem febre, dor de cabeça, fadiga, perda de apetite, mal-estar geral e náuseas. Os estágios mais avançados, contudo, incluem irritabilidade e ansiedade, sensibilidade extrema à luz, dificuldade para engolir alimentos, alucinações e convulsões. Já nos animais, salivação excessiva, agressividade incomum, alterações vocais e também sensibilidade à luz são alguns dos sintomas.
Notícia relevante: Vacina antirrábica administrada a 13.223 mil cães
Jornalista: Domingos Piedade Freitas
Editora: Maria Auxiliadora




