iklan

INTERNACIONAL, HEADLINE, NOTÍCIAS DE HOJE

Embaixador de Timor-Leste no Reino Unido: “A comunidade britânica está satisfeita com os timorenses”

Embaixador de Timor-Leste no Reino Unido: “A comunidade britânica está satisfeita com os timorenses”

Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Timor-Leste no Reino Unido, João Paulo da Costa Rangel. Fotografia da Tatoli/Francisco Sony.

DÍLI, 12 de junho de 2023 (TATOLI) – O Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Timor-Leste no Reino Unido, João Paulo da Costa Rangel, foi nomeado pelo Presidente da República, José Ramos-Horta, no dia 20 de maio deste ano.

Na cerimónia de tomada de posse, que teve lugar no Palácio Presidencial, o Chefe de Estado reforçou ao Embaixador a necessidade de estar atento à situação dos timorenses que vivem no território do agora Rei Carlos III.

De acordo com a Secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego (SEFOPE), residem nos países da monarquia (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) aproximadamente 20 mil cidadãos timorenses. São pessoas que deixaram a “terra do sol nascente” em busca de oportunidades de trabalho.

João Rangel, 41 anos, fundou em 2010 o grupo de empresas PAX, que opera nas áreas de limpeza e segurança. Atualmente, a empresa emprega mais de duas mil pessoas. Trabalhou como funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC) entre 2001 e 2004, tendo desempenhado funções diplomáticas na Embaixada de Timor-Leste em Jacarta e no Consulado Geral em Sydney.

Para conhecer melhor João e saber mais sobre o trabalho que pretende desenvolver durante o seu mandato de três anos, a Tatoli conversou com o Embaixador.

“Venho de um grupo de trabalhadores,

mas o país confiou em mim para assumir este cargo”

Tatoli – Embora não seja nomeado por um partido político, teve a oportunidade de se tornar Embaixador.  Pode fazer-nos um breve perfil sobre si?

 Sinto-me orgulhoso por ter sido nomeado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Timor-Leste no Reino Unido para representar o nosso país. Venho de um grupo de trabalhadores, mas o país confiou em mim para assumir este cargo.

Lembro-me que, em 2002, o atual Presidente da República, José Ramos-Horta, então Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, organizou um primeiro curso para 50 candidatos diplomáticos. A formação teve a duração de um mês, versou várias matérias relacionadas com o mundo da diplomacia e foi lecionada por professores de Portugal, Austrália, Estados Unidos da América e Nova Zelândia. Na altura, estava a trabalhar no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação na Divisão Consular e Comunitária de Timor-Leste. Trabalhei lá durante três anos, de 2001 até 2004.

“Os cidadãos timorenses [no estrangeiro] têm contribuído verdadeiramente para o nosso

desenvolvimento, nomeadamente para a economia do país”

Tatoli – Houve algum motivo que o fez vir a Timor-Leste?

Sim, após a nomeação, estive um mês no Reino Unido. A razão pela qual vim a Timor-Leste foi porque o Presidente da República, Ramos-Horta, pretende fazer uma visita oficial ao Reino Unido, pelo que naturalmente tive de estabelecer contactos com a equipa do Presidente e com o MNEC. Isto é natural, porque como embaixador, tenho o dever de assegurar que a visita do Presidente seja bem preparada e bem-sucedida.

Tatoli – Qual é o objetivo da visita do Presidente da República ao Reino Unido?

O objetivo da visita do Presidente da República está relacionado com assuntos diplomáticos bilaterais que vão reforçar a qualidade das relações externas entre os países e, sobretudo, dar um ênfase aos cidadãos timorenses que vivem no Reino Unido e que consideram este país como a sua casa.

O Presidente da República reconhece que essas pessoas têm contribuído verdadeiramente para o nosso desenvolvimento, nomeadamente para a economia do país. Por isso, como Chefe de Estado, o Presidente quer saudá-las, como forma de respeito.

Tatoli – Quais são os programas prioritários do seu mandato?

Um dos programas importantes que iremos desenvolver é o reforço das relações entre os dois países. Sabemos que o Reino Unido é um país forte e importante. É membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. É o país da revolução industrial. Mais do que isso, o Reino Unido é um parceiro de diálogo da ASEAN e que apoia a nossa adesão àquela organização.

Além disso, acho que as nossas relações não se limitam apenas às diplomáticas ou às políticas, mas temos tido relações humanitárias, porque há cidadãos de Timor-Leste que vivem no Reino Unido. Por isso, a nossa prioridade é reforçar as relações que já temos e honrá-las, porque é do interesse do nosso país e do Reino Unido.

Acredito que, com o apoio do Presidente da República e do MNEC, se podem potenciar relações positivas e produtivas, resultando no reforço das relações de amizade. Normalmente, o mandato de um embaixador tem uma duração de apenas três anos, mas [a continuidade] depende da qualidade do trabalho efetuado durante o mandato.

Tatoli – Durante os primeiros dias do seu mandato, que trabalho efetuou?

Nos meus primeiros dias de serviço, tive responsabilidades em aproximar-me da comunidade timorense no Reino Unido. Também, no âmbito das eleições parlamentares, cooperamos com o STAE [Secretariado Técnico de Administração Eleitoral], a CNE [Comissão Nacional das Eleições] e o MNEC para assegurarem o sucesso das eleições parlamentares na Irlanda do Norte e em Inglaterra, nomeadamente em Viterbo e Oxford. Conseguimos levar a cabo estas atividades com sucesso e segurança dado que foram muitos os timorenses que participaram nas eleições.

Tatoli – Muitos timorenses continuam a tratar dos passaportes portugueses para trabalharem no Reino Unido. Depois de terem esse passaporte, continuam com dificuldades em encontrar trabalho devido a vários fatores, um dos quais é a burocracia. Como é que Embaixada pode ajudar os cidadãos?

Eu acho que o nosso país tem sorte porque somos países irmãos. Porque o que o Reino Unido tem feito é incalculável. O Reino Unido ofereceu-nos visitas turísticas durante seis meses. Com o que o Reino Unido nos deu, temos de estar gratos. No entanto, continuamos a ter problemas. Iremos dialogar com as autoridades britânicas para os resolver. Acredito que vamos conseguir resolver este problema dos timorenses no Reino Unido e que as autoridades vão ouvir as nossas preocupações, apelos e recomendações.

Mesmo que tenhamos problemas, de acordo com as informações que recebi, os nossos cidadãos são pacíficos e trabalhadores. Porque eles estão dispostos a trabalhar, a comunidade britânica está satisfeita com os timorenses e estes ficam orgulhosos. Através da sua proatividade, contribuem para o desempenho das empresas onde trabalham.

Tatoli – O Governo timorense comprometeu-se a permitir que os cidadãos timorenses que não têm passaporte português trabalhem com passaportes timorenses. Que esforços é que a Embaixada vai desenvolver nesta questão?

Sim, sabemos que o problema mais grave da nossa nação é o desemprego e, por isso, muitos jovens têm ido para o estrangeiro para arranjar um trabalho. Concordamos que este é um problema nacional e as nossas autoridades têm estado a tentar encontrar uma solução. O nosso Presidente tem tentado comunicar com países amigos, como a Alemanha, a fim de conceder algumas quotas de trabalho para os nossos jovens.

Esta negociação será eficaz para o Reino Unido? Na minha opinião, ainda existem possibilidades de emprego, mas não nos devemos comprometer com uma afirmação definitiva. Precisamos de paciência e calma. Se perguntar se o Governo ainda está à procura de uma solução? Sim, o Governo vai tentar encontrar uma solução. Se ela não se adequar, o Governo tentará encontrar alternativas. Esta negociação é complexa.

Tatoli – Que mensagem quer deixar aos cidadãos timorenses no Reino Unido?

Pretendia partilhar uma mensagem de paz aos cidadãos timorenses. Precisamos de trabalhar em conjunto. A nossa participação no Reino Unido dignifica a nossa nação.

Equipa da TATOLI

iklan
iklan

Leave a Reply

iklan
error: Content is protected !!