OMS apela a Ministério da Saúde que acompanhe medicamente grávidas para prevenir autismo

DÍLI, 02 de abril de 2023 (TATOLI) – O representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Timor-Leste, Arvind Mathur, pediu, no âmbito do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, ao Ministério da Saúde que prestasse todos os cuidados possíveis a mulheres durante a gravidez para prevenir algumas das causas do autismo.
Assistência médica a grávidas e parturientes, na opinião de Arvind Mathur, é fundamental já que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não só é causado por fatores genéticos, como também efeitos de infeções que podem surgir durante a gravidez. São estes últimos que podem ser prevenidos, se as grávidas forem medicamente acompanhadas ao longo da gestação.
Como prevenção, o representante da OMS em Timor-Leste fez um apelo: “pedimos, por isso, ao Ministério da Saúde para prestar assistência a mulheres grávidas a fim de efetuar um controlo adequado no período pré-natal. Este é uma medida para a prevenção do autismo”.
Sendo o TEA de causas variáveis, as suas manifestações visíveis também o são. Daí ser um espectro que abarca comportamentos diferentes desde leves sinais da síndrome de Asperger até um isolamento social forte. Por tal, o autismo é vivido de forma diferente por pessoas diferentes. Assim sendo, algumas pessoas autistas podem precisar de mais apoio do que outras para viverem.
O autismo pertence a um grupo de doenças do desenvolvimento cerebral, conhecido por TEA. Consiste num distúrbio neurológico caracterizado pelo comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restritivo e repetitivo. Afeta o processamento das informações no cérebro, alterando a forma como as células nervosas e as sinapses se organizam. Contudo, a forma como este processo ocorre a nível cerebral ainda não é bem compreendido.
Os autistas apresentam vários sintomas: dificuldade na aprendizagem, na fala, na expressão de ideias e sentimentos, nos relacionamentos, no estabelecimento de contacto visual com os outros, na existência de padrões repetitivos e movimentos estereotipados como ficar muito tempo sentado a balançar o corpo, em comportamentos agressivos, ou no interesse por algo específico.
Segundo a ONU, crê-se que existam mais de 70 milhões de pessoas com TEA. Afeta cerca de uma em cada cento e cinquenta crianças. É uma condição permanente, ou seja, não tem cura, mas o espetro de comportamentos autistas é mitigável. A incidência é maior nos rapazes, tendo uma relação de quatro rapazes para cada rapariga.
Notícia relacionada: HNGV apela a famílias com autistas que procurem aconselhamento e tratamento
Jornalista: Domingos Piedade Freitas
Editora: Maria Auxiliadora

