DÍLI, 03 de novembro de 2022 (TATOLI) – O Presidente da República timorense, José Ramos Horta, e o seu homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, encontraram-se com emigrantes timorenses realojados no Pavilhão da Polícia Municipal de Lisboa.
Estes emigrantes foram vítimas de agências ilegais de recrutamento. Após lhe garantirem postos de trabalho em Portugal, a realidade que encontraram foi bem diferente: descontos nos salários para alojamento, para documentação e alguns para alimentação, diminuindo, desse modo, o dinheiro disponível ao fim do mês. Acresce que as condições de sobrevivência não respeitavam mínimos dignos: várias pessoas amontadas no mesmo quarto, muito poucas casas de banho disponíveis para grandes grupos e, por vezes, transporte precário entre o local de trabalho e o de dormida. Em consequência, muitos timorenses dormem ao relento.
No encontro, apesar de terem conhecimento da situação dos timorenses, os Chefes de Estado quiseram ouvir a versão das vítimas, de modo a procurar soluções adequadas, na medida em que alguns timorenses têm vontade de ser repatriados e outros preferem trabalhar em Portugal.
“Juntamente com o Presidente Ramos Horta vamos resolver a vossa situação segundo as regras”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos timorenses.
Já o Presidente da República timorense afirmou que o Chefe de Estado português pretende ouvir as preocupações dos jovens timorenses em Portugal para que os dois Estados procurem soluções.
Por um lado Ramos Horta orientou as autoridades de segurança timorenses a investigar as agências ilegais de recrutamento que enganaram os jovens, prometendo-lhe trabalho em Portugal. Por outro lado, pediu que se controlasse adequadamente os timorenses que pretendem trabalhar no estrangeiro.
O Chefe de Estado pediu também a estes jovens que cooperassem com as autoridades portuguesas, pois o país em causa está a esforçar-se para resolver a situação.
Já o representante dos timorenses, Luís Ximenes, admitiu que algumas agências prometeram aos timorenses postos de trabalho em Portugal. “Estamos abandonados [em Portugal]. Peço, por isso, aos dois Estados que facilitem o tratamento da documentação necessária para podermos trabalhar em Portugal”.
Atualmente 200 timorenses estão realojados no Pavilhão da Polícia Municipal de Lisboa. O Governo português, através da Proteção Civil, está a dar assistência aos timorenses.
Notícia relevante: Portugal e Timor-Leste discutem soluções para cidadãos timorenses em território português
Jornalista: Domingos Piedade Freitas
Editora: Maria Auxiliadora




