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Fernando Pires Madeira: “Memórias e cheiros ficaram-me gravados para sempre”

Fernando Pires Madeira: “Memórias e cheiros ficaram-me gravados para sempre”

O agrónomo português, Fernando António Pires Madeira. Imagem/Facebook Fernando Madeira.

“…e aquelas memórias e cheiros ficaram-me gravados para sempre como momentos maravilhosos. À medida que fui crescendo, percebi que poderia contribuir de alguma forma como mais um elemento de regeneração do planeta –  e continuo a sentir essa missão na pele. Timor cruzou-se no meu caminho e aqui estou eu a aprender e a partilhar conhecimentos”.

DÍLI, 04 de novembro de 2021 (TATOLI) –  É português, chama-se Fernando António Pires Madeira e é formado em agronomia, com especialização em permacultura sobre bancos de sementes e ecoaldeias.

Além da sua especialização formal e paixão pela natureza, o agrónomo preenche o seu tempo extra com outras atividades diárias.

Fernando António Pires Madeira numa das suas atividades. Imagem/Facebook Fernando Madeira.

“Gosto de ler livros técnicos e espirituais, adoro fazer desporto, tal como futebol, ténis, hóquei em patins, entre outros. Música sempre, em todas as ocasiões, e gosto de quase todo o tipo de música. Outra paixão é viajar e viver aventuras na natureza”, afirmou à TATOLI.

Pires Madeira nasceu em Portugal, mas cresceu em Macau. “Não vim de muito longe, eu estava em Macau, onde cresci e onde decidi, com um grupo de amigos, vir para cá desenvolver um projeto de carisma social e de desenvolvimento comunitário”.

Fernando veio para Timor-Leste há 13 anos, altura em que inicou um projeto de permacultura.

“No nosso projeto, desenvolvemos várias atividades, nas quais se destaca o banco de sementes, que armazenamos e comercializamos. Dispomos de viveiros, onde semeamos mais de 200 espécies e variedades de plantas comestíveis presentes no nosso banco”, contou.

Fernando António Pires Madeira. Imagem/Facebook Fernando Madeira.

Fernando tem paixão por permacultura, pela  experiência agrícola na infância com os seus avós, “e aquelas memórias e cheiros ficaram-me gravados para sempre como momentos maravilhosos. À medida que fui crescendo, percebi que poderia contribuir de alguma forma como mais um elemento de regeneração do planeta –  e continuo a sentir essa missão na pele. Timor cruzou-se no meu caminho e aqui estou eu a aprender e a partilhar conhecimentos”.

“Uma das atividades principais do nosso projeto é o banco de sementes. Temos vindo a reunir plantas e árvores de todos os distritos [atualmente, são municípios] de Timor, somando mais de 200 espécies e variedades de plantas e árvores comestíveis. Nos viveiros semeamos várias espécies para, depois, distribuir por zonas onde elas ainda não existam”, acrescentou.

Fernando referiu igualmente que o projeto inclui também uma vertente pedagógica, pois a quinta recebe e desenvolve atividades para os alunos das escolas.“Damos também formação a agricultores e ONGs. Para finalizar, temos a parte do  agroturismo ético como motor financiador de todos os projetos sociais,” disse.

Os viveiros. Imagem/Facebook Fernando Pires

O agrónomo disse que o projeto engloba ainda a conservação de água, pois “o terreno foi desenhado e trabalhado de modo a reter água no subsolo, além de usarmos outras técnicas como camadas vegetais para cobrir o solo, reduzindo a evaporação”, disse.

Fernando sublinhou que, quanto a energia, tentam reduzir o impacto ambiental não usando ares condicionados e outras máquinas de grande consumo. “O projecto ‘Germinando sementes’, agora sob a alçada do DaTerra, teve início em 2011”, revelou.

Fernando Madeira referiu que o projeto tem todo o tipo de plantas e árvores comestíveis e medicinais. “Desde tubérculos, que representam o alimento secular do povo timorense, a variadas árvores de fruto, plantas medicinais, flores comestíveis, ervas aromáticas e especiarias.   No que respeita à fauna, hoje em dia, temos coelhos, patos, peixes e cabras, para além das minhocas da vermicompostagem”, mencionou.

O projeto tem três trabalhadores permanentes, mas varia constantemente conforme o tipo de trabalho – na altura da preparação dos viveiros, chega a ter nove pessoas.

Fernando António Pires Madeira realizou um sonho e continua a ser um apaixonado pela natureza e pela contribuição para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.“Em Timor-Leste, o sonho é continuar a expandir de forma a criar uma rede nacional de bancos de sementes e de agroturismo ético”, adiantando que gostaria de  implementar o projeto em Portugal.

“Futuramente, quero levar este projeto para Portugal, especificamente para a Ilha do Pico nos Açores”, referiu.

Madeira afirma: “Acredito que Timor-Leste deve apostar num turismo ambiental e cultural, que passa por preservar e enriquecer os ecossistemas, e, por outro lado, estimular a riqueza cultural de uma forma genuína. Muitas das tradições e costumes provêm da agricultura, que continua a ser o principal motor do país, daí nós incentivarmos o investimento no agroturismo e num turismo ético, que vão para além do ecoturismo. Estes trarão muitos benefícios para as futuras gerações e só dessa forma o país conseguirá competir com lugares turísticos vizinhos, como Bali”.

A mensagem é de esperança por um Timor-Leste e mundo melhor, mais justo, mais sustentável e mais pacífico. Essas condições passam pela ação diária de cada um de nós, pela forma como lidamos com o próximo, pela nossa pegada ecológica através do que consumimos e pela nossa preocupação e ação em prol de um mundo melhor. A mudança começa dentro de nós.

O agrónomo terminou com uma frase que viu escrita em Bucoli, numa bandeira onde está  sepultado o herói Sahe – Vicente Reis: “A prática é o critério da verdade!”

Recorde-se que o projeto foi reconhecido pela Agência das Nações Unidas para o Desenvolvimento (USAID, em inglês). “Sim, para nós é o reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo dos quase 13 anos de vivência em Timor-Leste e serve como estímulo para continuarmos a acreditar que, unidos, podemos fazer a diferença”, concluiu.

Jornalista: Jesuína Xavier

Editor: Rafy Belo

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